Como apresentado anteriormente aqui no Blog, esta foi uma pesquisa sobre os objetos materiais e imateriais da cultura gaúcha, que representam a identidade do estado do Rio Grande do Sul em diferentes situações e aplicações. Foi desenvolvida a partir das abordagens qualitativa e quantitativa, cujo foco principal era compreender o papel destes objetos no seu contexto de uso e nas razões pelas quais alguns objetos são mais lembrados do que outros, quando têm o papel de representar o recorte cultural analisado. O estudo dos objetos da identidade cultural gaúcha também contribui como subsídio para o projeto de novos produtos, com o propósito de promover experiências e sentimentos positivos, e contribuir para a manutenção de determinadas características identitárias; estes são apresentados abaixo, e para que eu possa compreender a sua repercussão, gostaria que vocês deixassem um comentário após vê-los. Obrigada!
Mala "de mala e cuia":
Inicialmente foram executados alguns estudos modulares - sendo que um deles está representado abaixo - que tiveram como objetivo serem aplicados nas superfícies dos produtos a serem desenvolvidos, cumprindo a função de fazer com que um indivíduo possa carregar consigo uma lembrança de suas origens, proporcionando uma experiência agradável de uso.

Para a elaboração de um primeiro produto, foram utilizados como referência os ditados populares, com ênfase ao “de mala e cuia”, sendo que, como característica local do estado do Rio Grande do Sul, são muito utilizados os ditos populares. Com muita frequência, referimo-nos, em relação à nossas bagagens, ao nos dirigirmos de um lugar para outro, como “estou indo de mala e cuia”; portanto, cruzando com o fato observado nos depoimentos, de que as pessoas têm necessidade de poder transportar seus objetos de lembrança, por que não elaborar o próprio meio pelo qual essas possam transportar seus bens?
Assim, surgiu a ideia de projetar uma mala, que possa “viajar” com os gaúchos por onde estes possam ir, carregando lembranças na sua própria estampa, e acomodando todos os outros bens julgados necessários para os seus usuários.

O segundo produto projetado baseava-se no que suscitam os objetos “imateriais”: as sensações e os hábitos descritos em alguns dos depoimentos. Através desses, as pessoas citavam que encontravam como referência do seu estado – o Rio Grande – as paisagens, as cores, os hábitos. Era necessário, então, projetar algo que fizesse lembrar destas sensações mesmo longe delas. A partir disso, foi desenhado um produto que pudesse remeter a uma paisagem familiar; em meio a “dias cinzas”, de chuva, mostrar as cores das paisagens do estado estampadas no interior de um guarda-chuva. Ao invés de nos mostrar um dia sem sol, o referido guarda-chuva nos mostraria uma paisagem de que gostamos, de que sentimos saudades, ou que queremos relembrar. Ainda, que nos desse a sensação de reviver um momento, como estar embaixo de uma árvore de Ipê Amarelo em plena floração, por exemplo.

As ilustrações foram da Júlia Lima (adonadabolsinha.blogspot.com).
